Cirurgia Torácica do Vale

Traqueoplastia

A traqueoplastia é a cirurgia definitiva para tratamento da estenose traqueal. Sua maior vantagem é o restabelecimento do fluxo normal de ar, sem necessidade de orifícios externos.
 
As maiores dificuldades para sua realização são: a necessidade de cooperação do paciente no pós operatório, excluindo assim pacientes com déficits neurológicos importantes como candidatos; o limite de ressecção traqueal a 50% de sua extensão, excluindo assim pacientes com doença mais extensa (pelo menos naquele momento) e o fato de ser um procedimento de médio risco, excluindo assim pacientes com grandes comorbidades.
 
Antes da cirurgia, estuda-se a traqueia e sua estenose, geralmente via tomografia computadorizada e broncoscopia, rígida ou flexível. Observa-se o grau, extensão e localização da estenose.
 
As estenoses do terço superior e médio da traqueia geralmente são abordadas por via cervical e no terço inferior por toracotomia (abertura da cavidade torácica).
 
O procedimento se trata basicamente de retirar a parte doente e suturar (juntar) as partes sadias que estavam acima e abaixo da estenose. Ele é realizado no centro cirúrgico sob anestesia geral. Após abertura da pele e dissecção até a traqueia, esta é dissecada na região da estenose. É identificada com cuidado a região doente e esta é retirada, inclusive com a traqueostomia caso o paciente o possua. Então a parte superior da traqueia que sobrou é suturada à porção inferior. Testa-se a sutura, para excluir vazamentos, injetando ar pela boca e fecha-se a incisão, pode-se deixar um dreno na região, para retirar o ar, líquido e sangue que se acumula no pós operatório. Casos mais difíceis, com ressecções maiores, podem necessitar da colocação de uma órtese traqueal provisória para prevenir nova estenose na região da sutura. Todo procedimento demora, em média, de duas a três horas.
 
Desenho esquemático mostrando, na primeira imagem, região a ser ressecada e na segunda, aspecto final após sutura.
 
A grande preocupação no pós operatório é evitar a extensão do pescoço (olhar para cima), pois pode forçar a região da anastomose (região que foi suturada), aumentando o risco de nova estenose ou mesmo ruptura (caso que podem necessitar de nova cirurgia). Por esta razão é necessária a colaboração e entendimento do paciente e em alguns casos pode-se deixar um ponto fixando o queixo ao tórax, restringindo tal movimentação. Esse ponto é retirado antes da alta.
 
A internação após a cirurgia varia de três a sete dias, dependendo da dificuldade da cirurgia e da recuperação do paciente. Geralmente no pós operatório são realizadas uma ou mais broncoscopias flexíveis para verificar que a anastomose está íntegra e o acompanhamento também é feito por meio destes exames.

 

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