Meses com dor no ombro sem diagnóstico? Pode ser a SDT
Dor no ombro que piora ao levantar o braço. Formigamento nos dedos. Fraqueza na mão. Esses sintomas, muitas vezes tratados como tendinite ou problema cervical durante meses, podem ser a manifestação de uma condição muito específica: a Síndrome do Desfiladeiro Torácico.
Pouco conhecida fora do meio médico, a SDT é uma das condições que mais passa despercebida no diagnóstico clínico – e que, quando identificada e tratada adequadamente, transforma radicalmente a qualidade de vida do paciente.
Vamos entender o que é, por que acontece e em quais casos a cirurgia torácica é a solução definitiva.
O que é o desfiladeiro torácico e por que ele pode causar tantos sintomas

Imagine uma passagem estreita entre sua clavícula, a primeira costela e os músculos do pescoço. Por ela passam os principais vasos sanguíneos (artéria e veia subclávias) e os nervos do plexo braquial – que controlam sensibilidade e movimento do braço, antebraço e mão. Essa passagem é o desfiladeiro torácico.
Quando essa área é comprimida – por uma costela extra (costela cervical), por tensão muscular excessiva, por anomalias anatômicas ou sequelas de trauma -, surgem os sintomas da SDT. A compressão funciona como um aperto num cano: tudo que passa por ali é prejudicado.
Tipos de Síndrome do Desfiladeiro Torácico
SDT Neurológica (mais comum – 90 a 95% dos casos)
A compressão afeta o plexo braquial, causando dor, formigamento, dormência e fraqueza no braço e na mão. É frequentemente confundida com hérnia de disco cervical ou síndrome do túnel do carpo – o que atrasa muito o diagnóstico correto.
SDT Venosa (Síndrome de Paget-Schroetter)
A compressão da veia subclávia provoca inchaço, cianose e sensação de peso no braço. É mais comum em jovens atletas com movimentos repetitivos acima da cabeça – nadadores, jogadores de vôlei, arremessadores. Pode evoluir para trombose venosa profunda do membro superior se não tratada.
SDT Arterial (a menos comum, mas a mais grave)
Compressão da artéria subclávia, que pode causar desde palidez e frio no braço até isquemia grave com risco de amputação. Frequentemente associada à presença de costela cervical.
Quem está em risco de desenvolver a SDT
- Pacientes com costela cervical (variação anatômica presente em cerca de 1% da população)
- Pessoas com postura inadequada crônica (pescoço projetado para frente, ombros caídos)
- Atletas de alto rendimento com movimentos repetitivos dos membros superiores
- Trabalhadores que ficam longos períodos com os braços elevados
- Pacientes com histórico de trauma em ombro, clavícula ou região cervical
Como é feito o diagnóstico da SDT
O diagnóstico da SDT exige combinação de avaliação clínica detalhada e exames complementares. O médico vai investigar a história dos sintomas, realizar manobras específicas de provocação (como o Teste de Adson e o Teste de Roos) e solicitar exames de imagem.
Os exames mais utilizados incluem:
- Radiografia de coluna cervical e tórax (para identificar costela cervical)
- Tomografia computadorizada com angiografia (angio-TC)
- Ressonância magnética
- Eletroneuromiografia (para avaliar a função dos nervos)
- Doppler vascular (para avaliar fluxo nos vasos)
Saiba como é feita a avaliação diagnóstica em cirurgia torácica e o que esperar do processo de investigação em nossa clínica.
Quando a cirurgia é necessária e o que ela faz
O tratamento começa de forma conservadora: fisioterapia postural, fortalecimento muscular, analgesia e, nos casos vasculares, anticoagulação. Mas quando os sintomas persistem após 3 a 6 meses de tratamento clínico adequado – ou quando há comprometimento vascular grave -, a cirurgia é indicada.
O objetivo principal é descomprimir as estruturas – nervos e vasos – que estão sendo aprisionadas. Para isso, as técnicas mais comuns são:
- Ressecção da primeira costela: principal procedimento, remove o andar inferior do desfiladeiro
- Ressecção da costela cervical: quando ela é a causadora da compressão
- Escalenectomia: remoção parcial do músculo escaleno anterior
- Trombectomia ou reconstrução vascular: nos casos de SDT venosa ou arterial com oclusão
A abordagem cirúrgica pode ser feita por via transaxilar (pela axila), supraclavicular ou, em casos selecionados, por videotoracoscopia (VATS) – com menor morbidade e recuperação mais rápida.
A cirurgia torácica minimamente invasiva tem sido cada vez mais aplicada nesses casos, com excelentes resultados funcionais.
Resultados e prognóstico após a cirurgia
Com a cirurgia realizada por equipe experiente em cirurgia torácica, os resultados são altamente satisfatórios: estudos mostram alívio significativo dos sintomas em 70 a 90% dos pacientes com SDT neurológica, e taxas de sucesso ainda maiores nos casos vasculares quando abordados precocemente.
Acompanhe a recuperação após cirurgia torácica e saiba o que esperar nas semanas seguintes ao procedimento.
Referências científicas
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- Likes K, Rochlin DH, Call D, et al. Lessons learned in 30 years of treatment of thoracic outlet syndrome. J Vasc Surg. 2012;56(4):1089-96.
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- Urschel HC, Kourlis H. Thoracic outlet syndrome: a 50-year experience at Baylor University Medical Center. Proc (Bayl Univ Med Cent). 2007;20(2):125-35.
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