Cirurgia Torácica do Vale

Hiperidrose e Suor Excessivo no Verão

Quando a Simpatectomia Torácica é Indicada

Veja também: Cirurgia Torácica e a importância da prevenção de complicações

Hiperidrose e Suor Excessivo no Verão
Hiperidrose e Suor Excessivo no Verão
O verão brasileiro é sinônimo de praias, piscinas e diversão ao ar livre. Mas para os cerca de 15 milhões de brasileiros que sofrem com hiperidrose, a chegada das altas temperaturas representa um pesadelo que vai muito além do desconforto térmico comum. Enquanto a maioria das pessoas transpira moderadamente para regular a temperatura corporal, quem convive com a produção excessiva de suor enfrenta uma intensificação dramática dos sintomas durante os meses mais quentes, transformando atividades cotidianas em momentos de profundo constrangimento e sofrimento.
 
​A hiperidrose caracteriza-se pela produção de suor em quantidades muito superiores às necessárias para a termorregulação. Essa condição médica afeta aproximadamente 2% a 3% da população brasileira, impactando significativamente a qualidade de vida em diversos aspectos — relações interpessoais, desempenho profissional, autoestima e bem-estar emocional.

​Compreendendo a Hiperidrose: Tipos e Manifestações

A hiperidrose pode ser classificada em dois tipos principais. A hiperidrose primária (ou focal) não tem uma causa médica identificável e se concentra em áreas específicas do corpo, como mãos (hiperidrose palmar), pés (hiperidrose plantar), axilas (hiperidrose axilar) e rosto (hiperidrose craniofacial). Acredita-se que seja resultado de uma disfunção do sistema nervoso simpático, que controla as glândulas sudoríparas.
​Já a hiperidrose secundária é causada por condições médicas subjacentes, como diabetes, hipertireoidismo, obesidade, menopausa ou uso de certos medicamentos, e geralmente afeta o corpo todo. Nesse caso, o tratamento deve focar na doença de base.

O Impacto do Verão na Hiperidrose

Durante os meses mais quentes do ano, especialmente no verão brasileiro com temperaturas frequentemente acima de 35°C, as pessoas com hiperidrose enfrentam uma piora significativa dos sintomas. O calor intenso, a exposição solar e a umidade elevada tornam a sudorese ainda mais excessiva e incontrolável.
 
O ciclo vicioso é cruel: o nervosismo de suar em público aumenta o estresse emocional, que por sua vez intensifica ainda mais a produção de suor. Situações cotidianas como pegar transporte público, participar de eventos sociais, fazer apresentações profissionais ou simplesmente sair de casa transformam-se em momentos de grande ansiedade

​Além do Desconforto Físico: O Impacto Psicossocial

A hiperidrose não é apenas um incômodo físico - seus efeitos psicológicos e sociais são profundos. Estudos demonstram que a doença está frequentemente associada a quadros de ansiedade, fobia social, depressão e baixa autoestima. O constrangimento constante pode levar ao isolamento social, dificuldades no ambiente de trabalho e até mesmo impactar relacionamentos afetivos.
 
​Aproximadamente 400 milhões de pessoas no mundo sofrem com a condição, mas muitas não procuram ajuda médica por vergonha ou por desconhecerem as opções de tratamento disponíveis. A falta de informação perpetua o sofrimento silencioso de milhões de brasileiros que acreditam não haver solução para o problema.

Opções de Tratamento: Da Abordagem Conservadora à Cirurgia

Felizmente, existem diversas alternativas terapêuticas para a hiperidrose, que devem ser indicadas de forma individualizada conforme a gravidade do caso e o impacto na vida do paciente.

​Tratamentos Não Cirúrgicos

Para casos leves a moderados, a primeira linha de tratamento geralmente envolve opções conservadoras:
  1. ​Antitranspirantes de Alta Potência: Produtos contendo cloreto de alumínio em concentrações elevadas podem bloquear temporariamente os ductos das glândulas sudoríparas.
  2. Toxina Botulínica (Botox): As aplicações de toxina botulínica tipo A nas áreas afetadas bloqueiam os sinais nervosos que estimulam a produção de suor. O efeito dura aproximadamente seis meses, sendo necessárias reaplicações periódicas. Estudos mostram boa eficácia, especialmente em adolescentes a partir dos 12 anos.
  3. Medicamentos Anticolinérgicos: A oxibutinina oral é uma opção farmacológica que atua reduzindo os estímulos nervosos às glândulas sudoríparas. O protocolo típico envolve aumento gradual da dose ao longo de 12 semanas.

​Simpatectomia Torácica: a solução cirúrgica minimamente invasiva

Quando os tratamentos conservadores não trazem resultados satisfatórios ou quando a hiperidrose é grave e debilitante, a simpatectomia torácica por videotoracoscopia surge como a opção mais eficaz e definitiva.

​O Que é a Simpatectomia?

A simpatectomia é um procedimento cirúrgico minimamente invasivo que tem como objetivo interromper as fibras nervosas simpáticas responsáveis por estimular as glândulas sudoríparas. Realizada por cirurgiões torácicos especializados, a técnica utiliza videotoracoscopia (VATS)  - uma tecnologia moderna que permite visualizar o interior da caixa torácica através de pequenas incisões

​Como é Realizada a Cirurgia?

O procedimento é bilateral com duração média de 30 minutos a uma hora. São feitas quatro pequenas e discretas incisões - duas de cada lado do tórax (uma axilar e outra inframamária). Através dessas aberturas, o cirurgião insere uma microcâmera e instrumentos especializados que permitem localizar e bloquear os gânglios simpáticos responsáveis pela sudorese excessiva.
  • Veja vídeo do procedimento feita pela equipe da Cirurgia Torácica do Vale
O nível de bloqueio mais comum é T3-T4 (terceiro e quarto gânglios torácicos), escolhido estrategicamente para maximizar os resultados e minimizar complicações. 

​Indicações Precisas para a Simpatectomia

A cirurgia é especialmente indicada para:

  • ​Pacientes com hiperidrose palmar (mãos), axilar (axilas) e craniofacial (rosto) que não responderam adequadamente a tratamentos clínicos
  • Casos graves que comprometem significativamente a qualidade de vida, causando sofrimento emocional e retraimento social
  • Situações em que o suor excessivo interfere nas atividades profissionais e cotidianas
  • Pacientes com boa condição geral de saúde para realização do procedimento

​Contraindicações e Fatores Limitantes

Algumas condições podem dificultar ou impedir a realização da simpatectomia:
  • ​Infecções pulmonares ativas
  • Histórico de doenças pulmonares graves (como tuberculose prévia)
  • Cirurgias torácicas anteriores
  • Radioterapia prévia na região do tórax
  • Distúrbios de coagulação sanguínea
  • Obesidade severa

Taxas de Sucesso e Satisfação

Os resultados da simpatectomia são altamente positivos e bem documentados na literatura científica brasileira e internacional. Estudos demonstram taxa de sucesso de aproximadamente 95% no controle da hiperidrose palmar e axilar. Para hiperidrose palmar especificamente, as taxas de sucesso são superiores a 90%, enquanto para hiperidrose axilar ficam em torno de 80%.
 
Pesquisa realizada na Universidade Federal do Espírito Santo com 102 pacientes submetidos à simpatectomia demonstrou que 88% consideraram-se satisfeitos ou muito satisfeitos com os resultados, destacando-se a melhoria da qualidade de vida e bem-estar dos pacientes. Revisão sistemática publicada na revista Bioscience Journal analisou 4.139 pacientes e encontrou taxa de satisfação variando de 78,6% a 100%, com a maioria dos estudos mostrando que entre 88% e 96,1% dos pacientes estavam parcialmente ou totalmente satisfeitos com os resultados pós-operatórios.
Estudo populacional realizado em São Paulo, a maior cidade do Brasil, analisou 1.216 pacientes ao longo de 11 anos e confirmou a efetividade do procedimento. Pesquisa publicada no Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões avaliando diferentes níveis de ablação (R3-R4, R3-R5 e R4-R5) também encontrou ótimo resultado no controle da hiperidrose palmar/axilar.
 
​O alívio dos sintomas é imediato — muitos pacientes já acordam da anestesia com as mãos completamente secas. Essa transformação rápida proporciona impacto na qualidade de vida, permitindo que as pessoas retomem atividades antes evitadas e recuperem a confiança perdida.

​Recuperação e Pós-Operatório

Uma das grandes vantagens da simpatectomia moderna é a recuperação rápida e relativamente simples. Na ausência de complicações, o paciente geralmente recebe alta no dia seguinte à cirurgia.

Cuidados no Pós-Operatório:

  • ​Repouso relativo de 1 a 4 dias em casa (não é necessário ficar na cama o tempo todo)
  • Uso de analgésicos e anti-inflamatórios conforme prescrição médica
  • Evitar esforços físicos intensos por aproximadamente 15 dias
  • Retorno gradual às atividades cotidianas entre 2 a 4 dias após o procedimento
  • Observação de possíveis sinais de complicações (dor intensa, febre, falta de ar)
A maioria dos pacientes consegue retornar às atividades normais, incluindo trabalho e rotina social, em menos de uma semana.

​Hiperidrose Compensatória: O Principal Efeito Colateral

Embora a simpatectomia seja altamente eficaz, é fundamental que os pacientes conheçam o principal efeito colateral do procedimento: a hiperidrose compensatória (também chamada de sudorese reflexa).
 
Esse fenômeno consiste no surgimento ou aumento da produção de suor em outras partes do corpo que não foram denervadas pela cirurgia. As áreas mais frequentemente afetadas incluem tórax, costas, abdômen, coxas, pernas, glúteos e região submamária.
 
​A incidência da hiperidrose compensatória varia significativamente nos estudos, de 28,8% a 98,10% dos casos, dependendo do nível de ressecção nervosa e da técnica utilizada. Importante ressaltar que, na maioria dos pacientes, essa sudorese compensatória é tolerável e não representa um obstáculo social ou ocupacional significativo. Apenas em uma pequena porcentagem dos casos (cerca de 0,9% a 10%) ela é considerada intensa o suficiente para causar insatisfação.
 
​A hiperidrose compensatória tende a piorar em climas quentes e durante o verão, exigindo que os pacientes tomem cuidados especiais com hidratação e evitem exposição solar prolongada nas áreas simpatectomizadas. Pacientes geralmente apresentam melhora em climas frios, com baixa umidade e boa ventilação.

Acesso ao Tratamento: SUS e Planos de Saúde

Uma informação importante para quem sofre com hiperidrose: a simpatectomia é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Embora o processo possa ser mais demorado devido à fila de espera, o procedimento está disponível para todos os cidadãos brasileiros.
 
​Além disso, a cirurgia faz parte do rol obrigatório de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o que significa que todos os planos de saúde são obrigados a cobrir o tratamento. Pacientes com cobertura privada geralmente conseguem realizar o procedimento mais rapidamente e têm a possibilidade de escolher entre especialistas da área.

​Quando Procurar um Cirurgião Torácico?

Se você se identifica com os sintomas descritos e a hiperidrose está impactando negativamente sua vida pessoal, social ou profissional, é hora de buscar ajuda especializada. O cirurgião torácico é o profissional habilitado para avaliar seu caso, discutir todas as opções de tratamento e, se necessário, realizar a simpatectomia.
 
​A consulta inicial permitirá uma avaliação completa do seu quadro, considerando fatores como localização e intensidade da sudorese, impacto na qualidade de vida, histórico médico e expectativas com o tratamento. O especialista poderá indicar o melhor caminho terapêutico para o seu caso específico.

​Não Deixe o Suor Controlar Sua Vida

A hiperidrose é uma condição médica real, que afeta milhões de brasileiros e compromete significativamente a qualidade de vida. O verão intensifica os sintomas, mas não precisa ser sinônimo de sofrimento e constrangimento.
 
​Com os avanços da medicina moderna, especialmente a simpatectomia torácica por videotoracoscopia, existe uma solução eficaz e definitiva para casos graves. Os resultados são imediatos, as taxas de satisfação são elevadas e a recuperação é rápida, permitindo que você recupere sua autoconfiança e liberdade.
 
​Se você convive com o desconforto do suor excessivo, entenda que não está sozinho e que existe tratamento. Busque orientação médica especializada e descubra como a cirurgia torácica pode transformar sua vida - literalmente do dia para a noite.
 
Agende uma consulta com a equipe da Cirurgia Torácica do Vale e conheça todas as opções disponíveis para controlar definitivamente a hiperidrose. Não deixe para amanhã a qualidade de vida que você pode ter hoje.
 
 

Referências Bibliográficas

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Responsável Técnico: Dr. Gustavo Bandeira

  • Cirurgião torácico especialista em Cirurgia Torácica Robótica
  • CRM 104546-SP | RQE 27551

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