Cirurgia Torácica do Vale

Derrame pleural recorrente: novas abordagens de tratamento

O derrame pleural recorrente representa um desafio clínico significativo que compromete profundamente a qualidade de vida dos pacientes.

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Derrame pleural recorrente: novas abordagens de tratamento
Derrame pleural recorrente: novas abordagens de tratamento
Após a drenagem inicial, uma parcela considerável de pacientes experimenta o novo acúmulo de líquido na cavidade pleural, exigindo intervenções repetidas e impactando o prognóstico. Neste contexto, a pleurodese emerge como a abordagem terapêutica mais eficaz e consolidada para prevenir recorrências, oferecendo resultados superiores a 70% de sucesso clínico.

O que é pleurodese?

A pleurodese é um procedimento cirúrgico que visa eliminar o espaço entre as pleuras através de estímulos que induzem a aderência do pulmão à parede torácica. Este princípio transforma uma cavidade potencial que favorece o acúmulo de líquido em um espaço obliterado, impedindo novas recorrências. O sucesso dessa intervenção depende de múltiplos fatores, incluindo seleção adequada de candidatos, escolha do agente esclerosante e técnica cirúrgica empregada.

Técnicas Disponíveis: Química e Abrasiva

As abordagens de pleurodese dividem-se em duas modalidades principais: a química e a abrasiva.
Na pleurodese química, utilizam-se medicamentos esclerosantes que promovem inflamação controlada no espaço pleural, facilitando a aderência. Os agentes mais utilizados incluem talco, doxiciclina e nitrato de prata. O talco permanece como esclerosante de primeira escolha, apresentando eficácia superior a 90% em diferentes séries clínicas, com as vantagens de ser de baixo custo, fácil administração e baixo índice de complicações.
 
A pleurodese abrasiva funciona através da esfoliação das células pleurais, criando reação inflamatória que resulta em tecido cicatricial robusto. Ambas as técnicas apresentam elevadas taxas de sucesso quando aplicadas apropriadamente; a escolha entre elas depende da etiologia do derrame e das características do paciente.​

Eficácia e Taxas de Sucesso Documentadas

A literatura científica documenta consistentemente altas taxas de eficácia. Estudos multicêntricos europeus indicam sucesso da pleurodese química em 71% a 78% dos pacientes que sobrevivem ao período de 30 dias pós-procedimento. A VATS (Videotoracoscopia Assistida por Vídeo) apresenta resultados ainda mais promissores, com efetividade em torno de 90% dos pacientes. Estes números representam significativa melhoria na qualidade de vida, reduzindo reinternamentos e necessidade de procedimentos repetidos.
 
O sucesso da pleurodese classifica-se como completo (resolução total dos sintomas, expansão pulmonar total e ausência de recorrência) ou parcial (resolução parcial dos sintomas e recorrência inferior a 50% do volume original). Esta classificação permite avaliar não apenas a eficácia técnica, mas também o impacto clínico real percebido pelo paciente.​

Indicações e Seleção de Pacientes

A pleurodese está indicada principalmente para derrames pleurais malignos recorrentes sintomáticos, embora possa ser utilizada em casos selecionados de derrames benignos refratários. A seleção adequada de candidatos é essencial: pacientes com bom status funcional apresentam melhores desfechos.​

Abordagens Técnicas: Da Drenagem à Cirurgia

A pleurodese pode ser realizada através de múltiplas vias de acesso. A abordagem mais simples utiliza drenos pleurais de pequeno ou grande calibre, permitindo instilação do agente esclerosante à beira do leito, sob anestesia local. Esta modalidade oferece a vantagem de ser minimamente invasiva e aplicável em pacientes com risco cirúrgico elevado. O período de drenagem tipicamente varia de 5 a 7 dias, durante o qual o esclerosante promove inflamação necessária para obliteração do espaço pleural.​
 
A videotoracoscopia (VATS) oferece visualização direta da cavidade pleural, permitindo diagnóstico simultâneo da causa do derrame, coleta de biópsias e realização de pleurodese sob condições técnicas otimizadas. A toracotomia (abordagem aberta), embora menos frequentemente utilizada na era contemporânea, permanece indicada em casos específicos onde a visualização ampla seja necessária.​

Complicações e Manejo

As complicações mais frequentes da pleurodese incluem dor torácica e febre pós-procedimento. Raramente ocorrem complicações maiores como infecção, sangramento ou alteração da função respiratória. A dor é geralmente controlável com analgésicos convencionais e tende a se resolver nos primeiros dias.​

Impacto na Sobrevida e Qualidade de Vida

A pleurodese bem-sucedida reduz significativamente o número de reinternamentos e visitas ao serviço de emergência, contribuindo decisivamente para melhoria da qualidade de vida. Em pacientes oncológicos com derrame pleural maligno, a pleurodese realizada adequadamente não apenas controla sintomas, mas pode influenciar positivamente a percepção de bem-estar nos meses finais de vida.

O que fazemos aqui na Cirurgia Torácica do Vale

A Cirurgia Torácica do Vale oferece tanto abordagens químicas quanto abrasivas, com equipe especializada em videotoracoscopia e procedimentos minimamente invasivos. A seleção da melhor técnica para cada paciente é realizada mediante avaliação clínica detalhada, considerando a etiologia do derrame e fatores de risco. Quando indicada, a pleurodese representa a melhor estratégia para prevenir recorrências e restaurar qualidade de vida.

Referências Bibliográficas

  • Portuguese Society of Internal Medicine. "Pleurodesis: Clinical Experience and Outcomes." Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna. 2015;22(3):142-145.
  • ​Vaz MC, et al. "Pleurodese: Técnica e Indicações." Jornal Brasileiro de Pneumologia. 2006;32(4):343-350.
  • ​Ferreira JM. "Avaliação da Pleurodese como Tratamento de Diferentes Etiologias." Repositório de Teses e Dissertações UNESP. 2021.
  • ​Silva CT, et al. "Eficácia da Pleurodese Química com Talco em Pacientes com Derrame Pleural Maligno." Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Rio de Janeiro. 2006.
  • ​Silva Junior CT, et al. "Diagnóstico e Tratamento dos Derrames Pleurais Malignos." Revista SOPTERJ. 2016;1(5).
  • ​Castaldo N, et al. "Explorando a Eficácia e os Avanços da Pleurodese Médica." Breathe Journal. 2024;20(2):240002.
 

 


Responsável Técnico: Dr. Gustavo Bandeira

  • Cirurgião torácico especialista em Cirurgia Torácica Robótica
  • CRM 104546-SP | RQE 27551

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