Esternotomia

A Esternotomia é uma incisão que pode ser usada em cirurgias torácicas e que reflete em menos dor ao paciente quando comparada a Toracotomia.

Veja também: Toracotomia

Esternotomia
Imagem: Esternotomia. Diagrama mostrando o local da Esternotomia, canulação dos grandes vasos e exposição cirúrgica. The Annals of Thoracic Surgery.

A Esternotomia é uma incisão cirúrgica muito comum em procedimentos cardiovasculares. Boa parte das operações nessa região é realizada a partir desse tipo de corte.

Proposta em 1857, ela se popularizou no meio médico apenas em 1957, quando era usada nas abordagens de tratamentos cardíacos e dos grandes vasos.

A realização de uma Esternotomia não costuma causar grandes complicações. Mas, quando algum contratempo surge em decorrência da incisão, existe uma alta chance de morbimortalidade, índice de pessoas vítimas de uma doença específica dentro de outro determinado grupo populacional.

O que é Esternotomia?

No geral, a Esternotomia é um tipo de incisão cirúrgica que é realizada sobre o esterno, osso localizado na linha média anterior do tórax e que está inserido na região anterior da caixa torácica.

Esse corte apresenta um prognóstico melhor quando comparado a outras técnicas, sendo a abordagem mais aplicada nas cirurgias cardíacas devido à exposição da região.

Contudo, mesmo que não seja habitual, essa incisão também pode ser usada em procedimentos torácicos.

A técnica é uma substituta do procedimento tradicional da época, a Toracotomia transversal bilateral (Clamshell), uma incisão que engloba ambos os lados do tórax e usada em casos de transplantes pulmonares ou traumas bilaterais.

A Esternotomia consiste na execução de uma divisão no sentido vertical na área do esterno. Essa abordagem possibilita que o profissional possa enxergar e acessar toda a cavidade torácica, incluindo também o coração e os pulmões do paciente.

A técnica acaba oferecendo muitos benefícios para o paciente e a toda equipe médica.

Quando o paciente é submetido a uma cirurgia cardíaca, a dor acaba sendo a principal manifestação. Ela pode ser decorrente do tipo de incisão cirúrgica ou de outros fatores, como a dissecção tecidual e a retração.

Logo, a principal vantagem da Esternotomia é a diminuição da dor durante o pós-operatório. Ela também concede acesso aos espaços pleurais e gera maior proteção para os músculos que compõem a cintura escapular.

O principal problema da esternotomia é o surgimento de infecções e a deiscência, processo em que a sutura começa a abrir espontaneamente.

Complicações da Esternotomia

Mesmo sendo considerada um procedimento seguro, a Esternotomia também pode gerar complicações, sendo que a principal delas é a chance de infecção no local do corte.

As infecções podem ser profundas ou superficiais, em ambos os casos os efeitos são graves e preocupantes. Normalmente, a ocorrência de uma infecção pode implicar na hospitalização do paciente por um longo período e até levar a óbito.

A condição mais crítica da Esternotomia é a mediastinite. Essa patologia grave é uma infecção do mediastino, seja aguda ou crônica, que afeta os tecidos adjacentes profundos.

De acordo com o estudo “Fatores Associados à Mediastinite Pós-Esternotomia. Caso-Controle”, lançado em 2017, a incidência dessa complicação é de 0,4 a 5% e apresenta uma taxa de mortalidade de 14 a 47%.

Mas, mesmo que o paciente passe por tratamentos e diagnósticos precoces, essa complicação não costuma oferecer um bom prognóstico, principalmente quando são registrados casos de sepse e outros problemas que agravam a saúde da pessoa.

A infecção da Esternotomia constitui-se de uma osteomielite esternal, celulite ou mediastinite. No geral, os contratempos da incisão costumam surgir logo na primeira semana depois da cirurgia, em um período de tempo que compreende de 7 a 12 dias.

Fatores de risco

O desenvolvimento de infecções é a principal complicação posterior da cirurgia. Normalmente, esse contratempo está relacionado com três grupos de fatores:

Os fatores pré-operatórios têm relação com os elementos que pertencem ao próprio paciente, que pode estar mais propenso a infecções caso seja do sexo masculino e tenha idade avançada.

Além disso, fatores de risco também incluem condições pré-existentes, como insuficiência renal, tabagismo, registro de doenças pulmonares, obesidade e diabetes.

No período pós-operatório, a reintervenção, ou seja, novos procedimentos feitos na região, a ventilação prolongada na área, o excesso de sangramento e utilização de inotrópicos são fatores de risco.

Outros fatores externos podem influenciar no surgimento de complicações. O estado de urgência da cirurgia e a espécie de intervenção feita são causas prováveis, assim como o excesso de eletrocauterização e o choque cardiogênico.

Quando é indicada a Esternotomia

A Esternotomia é uma incisão feita especialmente nos procedimentos cirúrgicos cardiovasculares. Contudo, ela pode ser usada em cirurgias torácicas.

Em comparação a Toracotomia póstero-lateral, as Esternotomias são mais rápidas de abrir e fechar. E, por não ter secção muscular, a abordagem acaba gerando menos dor no pós-operatório.

Mas, um ponto negativo dessa abordagem é que ela apresenta uma aparência estética inferior no resultado final. Outras desvantagens incluem a secção da estrutura óssea e não acesso às estruturas posteriores.

Recuperação da Esternotomia

A Esternotomia é uma incisão aplicada nas cirurgias torácicas e, principalmente, cardíacas. A recuperação depende do tipo de procedimento específico e se a abordagem utilizada é minimamente invasiva.

Mas, a principal indicação no caso de procedimentos com Esternotomia é que os pacientes durmam com a barriga para cima pelo período aconselhado pelo médico, pois a incisão feita é extensa.

A recuperação dos procedimentos no tórax costuma durar de 15 a 30 dias de repouso, período no qual a recomendação é que os pacientes evitem trabalhar e fazer esforços físicos durante esse tempo.

Já quanto às infecções pós-cirurgia, o tratamento exige que o paciente realize a drenagem e irrigação. Ademais, também é necessário fazer o fechamento assistido a vácuo.

Por fim, o debridamento cirúrgico da parede torácica consiste no tapamento da região com retalhos miocutâneos ou musculares. O tratamento também inclui a administração de medicamentos antibióticos e sistêmicos.

Outra indicação é banhar rapidamente as feridas com sabonetes suaves e realizar o processo de secagem com extremo cuidado. Após algumas semanas, a sutura acaba sendo reabsorvida.

As tiras autoadesivas são responsáveis por facilitar a cicatrização do local, e elas acabam caindo sozinhas ou devem ser retiradas pelo próprio paciente.

Além da inflamação das incisões, a recuperação de uma esternotomia inclui dores regulares, mas que costumam diminuir com a indicação de analgésicos pelo profissional.

A Cirurgia Torácica do Vale é formada por um grupo de profissionais que trabalha na região do Vale do Paraíba. Entre em contato para saber mais!

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